Analiso e não tenho pudor algum em assumir. Vejo circunstâncias, pessoas de longe, fico observando, no entanto o faço sem julgar até porque creio que não existam certos e errados, sou avessa ao maniqueísmo.
Não sei especificar aqui qual foi o motivo ensejador desse tear de pensamento peculiar, no entanto lembro-me de uma cena em que vi um homem declarando todo seu sentimento o qual ele denominou amor, à uma mulher e ela com sua doçura implacável aceitou todo o sentimento sem nada questionar, simplesmente aceitou. Linda cena! Recordo de ter me emocionado com ela, vi em um filme.
Sou romântica assumida, no entanto surgiram vários questionamentos em minha mente instantes depois de contemplar tão bela cena. Pensei que “o felizes para sempre” inexiste e não devido ao tempo e sim em decorrência ao desamor advindo da descoberta das imperfeições.
Minha mente viaja em silêncio e se perde em pensamentos e dessa vez não foi diferente, ora fui até “o felizes para sempre”, para descobrir que havia um problema na cena, o fato de o sentimento ser declarado e talvez não sentido, de ser falsa a declaração, porque no filme as pessoas não se conheciam verdadeiramente, apenas haviam passado uns dias ao lado uma da outra e visto apenas a perfeição e as idealizações e não o outro.
E cá entre nós, coitado do idealizado, porque ele “erra” sem saber! O idealizador o imagina de acordo com sua imaginação, só que o idealizado na maioria das vezes não sabe que é uma projeção da perfeição e aí começa o declínio de tanto amor, eis que as idealizações são rompidas e a face verdadeira do ser até então amado surge.
Outra coisa que me intriga é essa declaração em dias, me fez pensar! Não creio ser impossível o tal sentimento existir e ser fortíssimo em dias, no entanto será amor? Ou será paixão? Ou que será? Não creio que qualquer sentimento siga uma ordem cronológica, em um mês paixão, em um ano amor, em dez anos saudade, não creio em dosimetria lógica e perfeita, no entanto é menos provável do meu ponto de vista chamar de amor alguém que se conhece em uma viagem por exemplo.
Da cena bela inicialmente do filme, passo a vida real. Tenho visto com certa freqüência a palavra amor em todos os lugares e repetidas tantas vezes que questiono: será amor ou falácia? Amor ou carência? Amor ou, ou,ou?
Não sei o que é e tenho receio de afirmar que é amor! Talvez seja amor, não sou tão incrédula, todavia na maioria das vezes é declarado no frenesi de um momento e repetido como se amor fosse porque a palavra já foi dita.
Creio no amor sim! Tenho dúvidas no que tange a essa espécie de vulgarização na maneira de amar e no amor declarado do pó, sem história, sem respeito. Não creio nesse amor dito inúmeras vezes e profanado como pílula da felicidade e obrigatoriedade, eis que há uma exclusão daquele que não cultua esse jeito de amar, é próprio alimento do ego, joguete de palavras e nada mais no meu pensar.
Entendo que o famoso “eu te amo” parece que implicitamente se transformou em “eu me amo”, porque é desmedida essa falácia toda, sem demonstração alguma, ademais esse tal amor ao outro, acaba sempre convertendo os benefícios da frase para o “eu” e pelo que observo o respeito por quem se diz amar inexiste ou subsiste e o sentimento serve para explicar a ausência de comprometimento, cuidado com o outro. É como se a frase apos proferida funcionasse como um bálsamo do perdão para todas as tolices até então cometidos e que depois dela outra vida se reiniciasse com “amor”.
Quando uso o termo demonstrar o amor, não me refiro a se jogar no chão, declarar-se e fazer loucuras em nome do amor, no entanto respeitar o outro, compreender, ajudar, estar ao lado e amar em sentido amplo. Não tenho uma definição de amor, não sei sequer se amei, acho que sim, no entanto sei bem o que é respeito, cumplicidade, fidelidade e entendo essas como premissas, derivações do amar.
Posso escrever dias sobre o tema e infindáveis páginas, no entanto minha expressão não definiria o amor, sequer explicaria! Tenho um modo de ver as coisas, não quero impor, apenas dizer que existem outras faces, outros jeitos, formas de ser, amar e viver e nem por essa diferença são certas ou erradas, são apenas diferentes.
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