sábado, 26 de novembro de 2011

Adaptação

A vida é composta por um emaranhado de pequenas adaptações diárias. Seguir em frente implica em reorganizar pensamentos, crenças, abandonar as antiguidades que impregnam nossa vida. Particularmente sou sedenta por antiguidades, alimento um fascínio absurdo por tudo que não precisa mudar, deve ser porque a qualidade de vida depende diretamente da capacidade de adaptação que temos. Não adianta resistir às mudanças, isso é fato. Cansei de lutar contra o inevitável, de planejar, de recomeçar por pura teimosia e hoje convivo bem com meus limites e aceito a eterna adaptação. Basicamente sou cercada por nãos, é um infinito cuidado pra me manter viva e saudável. Encontrei nos estudos a saída, uma espécie de cura imediata para ocupar o vazio do incurável. Costumo dizer que não sou inteligente e nem gosto de estudar, mas tenho sorte por poder usar meus poucos neurônios de modo amplo e encontrar a adaptação constante nos livros, nos estudos... É algo que me obriga a seguir. Gostaria de ter encontrado antes a clarividência que tenho hoje. Não mais perderei tempo tentando evitar as mudanças, vou encontrar um método rápido para continuar vivendo perto de quem eu estimo, mesmo com percalços ainda prefiro continuar e espero quebrar meus próprios recordes, vencer meus limites que aumentam a cada dia com o passar do tempo. Aos meus amigos e família só tenho que agradecer por estarem ao meu lado o tempo todo e embora me sufoquem com tanto amor, não teria forças para continuar sem o apoio inesgotável de vocês. Se não falo sobre o que sinto, sobre o que tenho é para poupá-los e não excluí-los. Saibam que busco me adaptar para poder estar com vocês.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Rompimento

Romper qualquer laço afetivo é sempre doloroso, é incômodo. Seria maravilhoso se pudéssemos evitar separações ou se conseguíssemos pôr fim ao ciclo sem quebrar a beleza da história, no entanto nem todas as pessoas conseguem. Cada fim é como se parte de mim acabasse junto com ele, para depois renascer em uma nova história a qual eu poderei redigir como bem entender. Entretanto antes da nova história começar, tenho apenas uma certeza que ela tbm será finita.
Geralmente quando decido concluir uma fase, ou quando tenho que concluí-la me sinto forte, não entristeço, não fujo, me despeço e parto rumo ao desconhecido que em breve conhecerei, acho que a expectativa do novo supre a ausência ou a tristeza pôr ter que deixar muitas vezes as pessoas que encontrei pelo caminho. Não é frieza, é como um mecanismo de defesa já que estou em eterna partida.
Nesse meu último ciclo a beleza da história não findou e certamente não findará, restaram mtas lembranças e a saudade se tornou inevitável. Por incontáveis vezes me peguei pensando nos trejeitos, nas manias, nas surpresas, nas conversas, no companheirismo, na entrega... e sinto falta até do que incomodava. Mas ter saudades não é querer recomeçar o que acabou, ou "arrumar" o que saiu dos eixos. O que sinto é uma certa nostalgia que faz a memória se exercitar e lembrar que não foram apenas momentos complicados.
Iniciar essa nova fase não está sendo nada fácil, mas é necessário continuar e confesso que se não existisse reciprocidade seria bem mais fácil romper os laços existentes. Partir, findar, esquecer são verbos constantes em minha vida, entretanto não é fácil enquadrá-los em uma ordem sentimental perfeita, na qual a dor causada por eles fosse amenizada ou inexistisse. Não consegui até hj, partir sem trazer na mala vestígios do passado, sequer consigo findar um ciclo sem querer voltar em algum momento. Esquecer das histórias, das pessoas, dos sentimentos é improvável, já que não sei olhar o futuro sem consultar o passado.
Acredito que romper foi e é uma das coisas mais complicadas que existem, já que não se rompe apenas a relação afetiva, se dilaceram expectativas, sonhos, desejos, sentimentos que até então foram partilhados. O romper é pra eu um desorgarnizar, desestruturar vidas que estavam acostumadas a andar pelo mesmo caminho. É pegar a outra estrada, a que não conhecemos ainda, é enfrentar nós mesmos, é a hora da verdade, não podemos nos poupar da crueldade, do contrário ficaremos na vida do outro por medo de sair, de magoar, de enfrentar.
Descobri que não importa a intensidade dos sentimentos, qndo se rompe os laços o que iniciou ou o que teve a coragem pra partir será o carrasco sem emoção, sem coração e como tal será visto, não importa o quão sensacional a pessoa é, ela vai ser taxada com os adjetivos mais pejorativos possíveis pq foi buscar outro caminho.
A raiva surge envolta nessa pejoratividade toda, a qual acaba por amenizar o findar e só se sabe que acabou qndo dói, qndo sofre com intensidade por alguém que um dia mto se quis. Não importa a dignidade aparente, o orgulho, tudo que se alega ser amor próprio se esvai pela insanidade de tentar manter quem inevitavelmente irá partir. A dor do fim é pra ambas as partes, no entanto cada um sofre na intensidade de seu egoísmo. Não existem culpados, romper é necessário, é natural e a prova disso é que a morte rompe com a vida e nem por isso deixamos de procurar nossos caminhos enquanto esperamos o rompimento final.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Morte: A invejosa.

A morte te levou não porque era a sua hora, mas pq tu a assustava com tua genialidade, impressionava com teu jeito, convencia com argumentos simplórios, dentre outros e ela por pura inveja te tirou a vida. A morte não suportou e te levou.
Não há como competir com a morte, ela sempre vence e leva qm bem entende. Com a tua morte, me sinto impotente, desamparada. Sinto uma dor inexplicável. Dói tanto a sua perda. Dor imensurável, imperdoável, dor, dor, dor... dor de alma, dor de saudade, dor de amor, dor de consciência pela minha ausência na tua vida nos últimos tempos, dor de não ter correspondido, dor de arrependimento, a mais pura e cruel dor.
Dói tanto saber que amanhã não terá mais nenhum resquício vivo seu, restará apenas a lembrança de dias bons e de tempestades q passamos juntos. O remédio pra sanar tanta dor inexiste. As lágrimas caem naturalmente descontroladas como se quisessem acalmar essa dor, mas de nada adiantam. Pensar fica quase impossível, quero sair correndo, gritando, mas a dor é mais forte, fico imóvel, trêmula e lágrimas caem silenciosamente em abundância.
Minha dor não é a mais doída do mundo, mas do meu mundo é a pior q já senti. Não tenho como te trazer à vida, a não ser usando artifícios da memória.
Sou forte, posso suportar, vou suportar repito pra mim mesma esse mantra e continuarei repetindo até acreditar nele cegamente.
Me recordo dos incontáveis dias ao teu lado, das minhas esquisitices sempre compreendidas por ti, do teu olhar terno, das brigas ferrenhas q mtas vezes eram geradas por debates sobre o nada, das bobagens, das viagens, das minhas madrugadas insones de devaneios e da tua companhia em mtas delas papeando sobre tudo e nada.
Sempre falei pra ti da minha vontade de escrever um texto sobre ti ou pra ti e nunca o fiz devido aquele velho defeito que tenho de adiar as coisas. Hj, infelizmente não pude adiar a escrita. Não tive como fugir de pensar em ti.
A dor não vai passar, maldita morte invejosa q te tirou daqui e deixou no teu lugar um vazio enorme.